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27.5.15

Lisboa a sair de mim

Sou Lisboeta, bem alfacinha, nascida bem lá no centro mas cada vez mais sinto Lisboa e a sair de mim. 

Amo lisboa e esse amor pela cidade mais bonita do mundo não foi beliscada nem por um mílimetro mas eu sinto-me cada vez mais uma turista na minha cidade. Já me vejo atrapalhada no metro, sem saber se o meu destino fica na plataforma da direita ou da esquerda. Agarro com as mãos todas as minhas coisas, mala e saco, num acto irreflectido de desconfiança em relação a todas, e muitas, pessoas da cidade. Já não reconheço a maioria dos restaurantes e lojas... É sushi, restaurantes de actor e mercearias chiques a cada 5 metros de rua. O trânsito faz-me uma impressão do caraças... Dá-me pena olhar para as pessoas atrás dos volantes, quando eu até já fui uma delas. E tal como uma turista, no último dia já estou ansiosa para voltar para casa.
É bom visitar Lisboa, estar com os amigos, sentir o calor e os cheiros que são tão característicos da cidade das 7 colinas, entrar nas milhentas lojas de roupa e sapatos (porque aqui são escassas), descer e subir as calçadas das ruas estreitas (mesmo em sapatos de salto alto), ver pessoas de todos os estilos ou beber uma bica nos cafés e tascas que já lá estão há tantos anos quantos os anos de vida da cidade mas não são necessárias muitas horas para começar a ansiar pela hora de me ver na minha Foz, no nosso sofá a ser apaparicada com uma massagem no pézinho, mais os nossos Romeo e Julieta e as coisas do costume. Porque são essas coisas do costume que fazem sentido nos meus dias. 

E num exercício mental de introspecção acabo por perceber que o problema não é Lisboa porque na verdade não está assim tão diferente. O problema também não sou eu, que sou exactamente a mesma pessoa que era há 4 anos atrás. O problema é a distância.

Lisboa vai estar sempre lá mas quem me faz feliz está aqui. Estar um dia, que seja, longe do meu marido dá-me a sensação de que estou a perder todo um dia, 24, inteiras, horas, de vida com ele. Porque no fundo no fundo, de vez em quando, lá nos passa pela cabeça quantos mais dias teremos com a pessoa que tanto amamos. E aí, sentimos um medo, que, por segundos, quase nos sufoca logo seguido duma conversa mental durante a qual obrigamos o nosso cérebro a eliminar rapidamente a terrível visão dum dia que não queremos que chegue nunca.

Sim, Lisboa até pode estar a sair de mim mas ganhei na minha vida um amor que preenche no meu coração o espaço de sete colinas.

2 comentários:

Agnes disse...

Oh, gostei deste texto :)

Rui Leal disse...

AMO-TE MINHA PAPOILA