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11.6.15

A colher de pau é minha, mexo com ela o que quiser #4

Na minha opinião a melhor comida é aquela que nós mais gostamos. Uma das coisas que aprendi durante uma aula de análise sensorial de lactícinios foi que o Roquefort era o melhor queijo do mundo, por ser assim considerado pelos melhores provadores do mundo. Eu na altura, pequenina de maturidade, acreditei naquilo e fui provar o Roquefort... Afinal era só o melhor queijo do mundo. Na altura, paguei um dinheirão por 5cm de queijo e... Não gostei nada do queijo. E fiquei triste por não gostar do melhor queijo do mundo.

Agora, mais crescida na maturidade, já percebi, há algum tempo, que os melhores sabores do mundo são aqueles que nós mais gostamos. Por exemplo, para mim o melhor queijo do mundo é o Queijo da Serra.

E se para alguns é um robalo de mar escalado e grelhado em carvão para outros são almôndegas... As preferidas do meu marido.

Como cozinheira sou um bocadinho inconstante... As receitas que crio dependem da minha despensa, da minha vontade e da estação do ano. Uma mesma receita pode ter milhentas variações desde que o resultado final fique maravilhoso. As minhas receitas de almôndegas são das coisas preferidas do Rui e hoje decidi partilhar uma delas com vocês. Como estamos na época dos Santos e a minha sogra me ofereceu um manjerico decidi adicionar um bocadinho desse espírito na minha receita de hoje.


"As minhas almôndegas com cheiro a manjerico"



Para as almôndegas
800g de carne de vaca picada;
2 salsichas frescas;
1 ovo;
1 "papo-seco" ralado;
2 c. chá de sal;
colarau picante q.b.;
pimenta q.b..

Para o molho
1 fio de azeite
1 c. de sopa de manteiga sem sal ou margarina;
1 dente de alho picado;
1 lata de tomate picado;
500ml de água a ferver;
1 caldo de galinha Knorr;
1 cálice de vinho do Porto branco;
5 molhinhos de manjerico;
1 folha de louro;
malaguetas a gosto;
pimenta q.b.;
sal q.b..


Num recipiente largo e fundo misturar a carne picada com o interior das duas salsichas frescas. Aqui têm de usar as mãos para que as carnes fiquem bem misturadas. 



Depois de descobrir que na minha despensa jazia um pão ralado, com vários meses de bolor em cima, tive que improvisar. Sempre que vos faltar o pão ralado e não tiverem muito tempo este é um excelente truque. Partam aos pedaços um "papo-seco" (carcaça em Lisboa) para um prato e levem-no por 2 minutos ao microondas. Retirem-no e coloquem-no a arrefecer durante 1 minuto até que o pão fique duro. Piquem o pão e voilá... Pão ralado.



Adicionem à carne o pão ralado, o ovo, o sal, o  colarau picante e a pimenta a gosto.


Misturem muito bem usando as mãozinhas. Depois, peguem na mistura resultante e façam bolinhas usando as palmas da mãos, e polvilhando com farinha as bolas de carne. O tamanho fica ao vosso critério. Já sabem que se forem grandes, como as que eu fiz, terão de ficar mais tempo a cozinhar e as mais pequenas menos. O que importa é que tenham todas mais ou menos o mesmo tamanho. Também não precisam de estar uma hora de volta da carne para fazer bolinhas perfeitas, pelo contrário. Almôndegas é um prato rústico e fica mais bonito se as bolas de carne ficarem meio toscas.



Nota muito importante: Quando se trabalha carne crua com as mãos é muito importante ter sempre, durante o processo todo, as mãos muito bem lavadas. Ajuda se reunirem em pequeninos recipientes todos os ingredientes que necessitam para misturar na carne. Lavar as mãos de mais é coisa que não existe durante esta tarefa. E sequem sempre as mãozinhas com papel de cozinha. Tudo para evitar uma tal de intoxicação alimentar.

Numa panela larga e funda deitar um fio de azeite e a manteiga, colocar as almôndegas a alourar. Quando estiverem douradinhas reservem-nas num recipiente.


Na gordura resultante da fritura juntar o dente de alho picado. Assim que o alho começar a crepitar, sem ficar dourado, adicionar a lata de tomate picado, o caldo de galinha (que fazem adicionando um caldo Knorr de galinha a 500ml de água a ferver), o cálice do Vinho do Porto, a malagueta, o louro e a pimenta e deixem levantar fervura. Mergulhar as almôndegas no molho e acrescentar uns 5 molhinhos das folhas mais novas de manjerico. Deixar cozinhar por 15 minutos. Provar durante o processo para ver se é necessário rectificar os temperos.

Para acompanhar façam o belo e simples do esparguete e voilá!


Acompanhem com um vinho fresco e doce, que combine com o picante do molho. Para nós o vinho rosé, D.O.C., da Adega de Borba é o parceiro perfeito das minhas almôndegas. Muito frutado, com um aroma e cheiro a morangos e que deixa um sabor docinho na boca que combina na perfeição com o quente e picante do molho das almôndegas. 


Bom apetite!

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21.3.15

Algumas promessas foram feitas para serem quebradas

"Promete-me que no próximo ano não compras mais Bordallo."
"Ok. Eu prometo." (enquanto fazia figas mentais)
"Não é por nada mas já não há espaço em casa para arrumar mais loiça."

Conversa tida no ido, e longínquo, mês de Dezembro de 2014, entre mim e o meu marido.

Até agora consegui cumprir a promessa mas só porque me mantive a uma distância segura das lojas que vendem Bordallo Pinheiro. Bem, não é bem verdade... Na semana passada dei um saltinho à loja mas só porque uma amiga de Lisboa me pediu muito para ir com ela, quando me veio cá fazer uma visita. E também é mentira que não tenha mais uma peça "bordaleira" cá na cozinha mas só porque essa minha amiga fez questão de me oferecer um pratinho... Que, por sinal, é do mais lindo que pode haver...

É lindo ou não é? Uma verdadeira ode à Primavera.



Eu até posso estar a servir um pão com manteiga com um café da avó mas a loiça tem de ser linda.

Eu adoro cozinhar, desde sempre, e há algumas comidas com as quais tenho uma memória olfactiva, visual e emocional fortíssima. Uma delas é a sopa de tomate da minha avó Lurdes. Sopa que a vi a fazer centenas de vezes, o que me tornou na única pessoa da família que a sabe reproduzir. A minha sopa preferida, cheia de tomate, grosseiras rodelas de cebola e pão de carcaça a boiar lado a lado com os ovos escalfados e as folhinhas de hortelã a enfeitarem de cor e cheiro o prato, quase a transbordar de sopa. Porém, essa recordação só é completa com os pratos onde era servida a sopa - os pratos do cavalinho. A sopa de tomate da minha avó era religiosamente servida nos "pratos do cavalinho", cor de rosa, feitos em Sacavém. Lembram-se?

Não sei se a minha avó o fazia propositadamente porque nunca lho perguntei. Mas agora que também eu sou cozinheira da minha própria casa acredito sinceramente que sim. A comida que servimos pode ser do mais apetitoso mas se for servida em pratos feios, ou que nada tenham a ver com o que estamos a servir tiram, com toda a certeza, um pouco do sabor do prato. Por outro lado, o mais simples dos alimentos, como uma bucha de pão do dia anterior, saberá bem melhor naquele pratinho Robin, cor de rosa, da foto. Daí a expressão "os olhos também comem". 

Tão ou mais importante como a forma como dispomos os vários componentes de uma receita, num prato é toda a envolvência... Os pratos, os talheres, a toalha ou os individuais, o cesto do pão,... tudo.

Como sou toda fofinha, dada mais aos alimentos regionais, frescos ou acabados de apanhar na horta, toda mariquinhas no tipo de cozinha que faço, Bordallo Pinheiro é sem sombra de dúvida a minha marca de loiça de eleição. As florezinhas, as representações amorosas e super realistas dos vegetais e frutos, os animaizinhos aqui e ali representados... uma marca toda Papoila, portanto.

Sim, eu sei que não há mais espaço no nosso T1 para mais pratinhos e tigelinhas e coisinhas fofinhas mas quem disse que o espaço de arrumação da Chez Longue não dá para arrumar pratos? Pelo menos mais um serviço de 24 peças cabe lá na boa. Ah sim, e nas paredes da sala cabem mais umas 55 figuras, pratos, representações, azulejos e similares.

Hoje em dia de celebração dos 169 do nascimento do criador da marca Bordallo Pinheiro, Rafael Bordallo Pinheiro, fica aqui a minha homenagem e promessa, sem figas mentais, que mais e mais loiça linda e fofinha da Bordallo ainda entrará neste nosso T1.

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8.8.14

A Bordallo é LINDA!!

A juntar à tradicional sardinha, a Bordallo Pinheiro lançou recentemente uma nova colecção de 22 sardinhas recauchutadas, muito tugas e todas lindas.


Eu que gosto, muito de "Bordalleira", representações de animais, ainda que sejam só sardinhas, e símbolos portugueses, trazia a colecção toda cá para casa e punha-a na parede da sala, contra a vontade do meu querido marido que já reclamou quando espetei na parede a icónica rã.



Esta última fileirinha são as minhas predilectas.
Atenção, aqui são só imagens em cartão porque em faiança ainda são mais brilhantes e linda.

ÁH sardinha LINDA!!
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12.7.14

Papoilices #1

O cantinho a que chamo casa está sempre em transformação.
Na decoração da casa, sou, como na moda, um, bocadinho, compulsiva por mudança.

Nem que seja a aquisição de um pintelheco novo para colar na parede ou de um moinho de pimenta que fique mais de acordo com as cores da cozinha. Assim, sinto sempre a casa fresca, nova e cheia de vida.

Depois, quanto mais papoila e fofinho for melhor.

E nem é preciso gastar muito dinheiro.
Num destes dias entrei no AKI, à procura de estrume de cavalo para a minha horta (assunto para um outro post), e quando dei por mim já andava de cortinado turquesa na mão... já estava mesmo mesmo a chegar à caixa quando mudei de plano... "e se em vez de um cortinado, por metade do preço, comprar um oleado de cozinha e fizer umas restaurações na cozinha?"

E lá fui eu chamar o colaborador para me dar 1 metro (nem era preciso tanto) daquele oleado de plástico azul e branco aos quadradinhos (que vão ser muito muito moda de cozinha). 

Cachim!! €5 na caixa e lá vai ela.

Restaurei uma caixa de pão, daquelas de madeira que estava atirada a um canto e transformei uma caixa de vinho de madeira numa prateleira.

Ora vejamos...

#1 - Antes de tudo lixei a caixa, que era envernizada, para ficar com uma cor de madeira mais natural.



A cola de spray já tinha cá em casa, de outras papoilices.

Nota: Lixar sempre no exterior. Caso contrário, vão andar a limpar pó de madeira nos próximos 6 meses.

#2 - Usar a caixa como molde para marcar o oleado e recortar os pedaços, com muito cuidadinho. Sim, exige mão firme.


#3 - Como trabalhei com materiais porosos - a madeira e o oleado/toalha revestido de pêlo no inverso -  só tive que colocar a cola de spray nos pedaços de oleado e colar directamente na caixa. Com delicadeza para ficar tudo no sitio (lá está... mão firme requerida). 

Nota: se quiserem fazer alguma coisa parecida com superfícies não porosas, como plástico, terão de colocar cola nas duas superfícies, deixar secar durante 20 minutos e só depois colar.


#4 - Enfeitar com papoilices, neste caso viciozinho de Bordallo Pinheiro, e voilá!!



 Para a caixa de vinho foi só seguir o mesmo processo...



 e voilá!!



Simples, bonito e barato!
Aproveitar agora, que sei que há por aí umas desgraçadas de férias.
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2.5.14

Sim sou engraçadinha, pinto as unhas mas gosto de cozinhar.

Há gente que fica muito surpreendida, que chega mesmo a duvidar e incluir piadinhas de desdém, quando digo que gosto muito de cozinhar.

Dizem que pela minha imagem não parece que goste de encostar o umbigo ao fogão.

Pois, que não podiam estar mais enganados!

Se há coisa que me põe a deitar fora de horas e a levantar-me mais cedo é a preparação de uma refeição. Gosto de preparar um plano, criar pratos novos... desta vez o vencedor foi nitidamente a "Mousse de chocolate, com mousse de morango e culi de morango e vinho do Porto", e ver a carinha de satisfação das pessoas alimentadas.

Desta vez o tema, sim dou nomes às ocasiões, era "Viagem ao Mediterrâneo", muita comidinha com sabores "portugo-espano-italo-gregos" e ambiente bem tradicional, com a ajuda da bela faiança da Bordallo Pinheiro.

Só duas fotos para não ficarem a salivar... muito.

O Romeo dá sempre uma patinha na preparação.

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